Quando nos conhecemos você estava triste e cansada,
Com lamentos e feridas frescas e com cheiro forte de rancor.
Eu estava à deriva,
Esperando a bússola apontar a direção para um porto seguro.
Ambos suprimos a atenção e a compreensão de que tanto ansiávamos,
Fortalecemos-nos, e no meio disso surgiu uma afinidade
E a segurança que outrora tivemos em outros portos
Hoje tínhamos um no outro
Mas você surtou ao ver que outro barco ancorou em um porto que um dia foi seu,
E as feridas reapareceram, e o ódio lhe cegou de tal modo
Que você só pensou em voltar ao porto,
Mas não para reivindicá-lo, e sim para destruí-lo,
E encheu o coração de ódio, esquecendo o bem que o amor pode fazer.
Depois de ver tudo destruído,
Se lamentou por perder algo que já não lhe pertencera
Na verdade nunca lhe pertenceu
E esqueceu-se de aceitar aquilo que lhe foi dado de bom grado
Aquilo que foi, é, e sempre será seu.
Nunca entendi como você se lamentou por ter perdido uma peça de lata,
Enquanto ganhava peças de prata.
Espero que no fim, mesmo sem partilharmos do mesmo porto,
Possamos partilhar todo o resto que o mar tem para nos oferecer.
Affonso Soares
15/04/2013
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